quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Zine Estridente, trajetória e planos para o futuro


Zine Estridente é um projeto que a muito tempo eu tinha vontade de por em prática desde quando conheci o movimento Riot Grrrl onde me identifiquei bastante, mas num primeiro momento segui caminhos diferentes, principalmente os caminhos da música, fui estudar também, fazer uma faculdade (Ciências Sociais), paralelamente sempre me envolvi com música durante esse tempo, mas na etapa final resolvi dar um tempo e me dedicar mais aos estudos.

Quando me formei e comecei a dar aula de Sociologia e Filosofia em várias escolas como professora designada (ou substituta) foi um grande desafio, mas que com o tempo você acaba pegando o jeito da coisa! E durante todo esse tempo da minha vida depois que conheci o Feminismo, a medida que fui me aprofundando ia revendo minhas formas de pensar, do que eu pensava ser feminismo e o que eu entendo como feminismo hoje, principalmente a questão da solidariedade entre as mulheres e as micro-agressões sexistas existentes no nosso cotidiano real e virtual que agente finge não ver ou aceita pra não ser chata, mal educada e desagradável com os outros. 


Com o tempo eu percebi que o tentar ser agradável com pessoas, sorrir e aceitar as micro e macro agressões era algo que estava impregnado no patriarcado, que parecer sempre passiva era realmente o objetivo de todo esse mundo baseado na opressão.


Foi quando comecei a incomodar um pouco as pessoas pois deixei de aceitar as coisas cotidianas que me cercavam, foi uma faze difícil na vida, como dizem algumas feministas que conheço, passei a viver dentro de uma "bolha rosa", principalmente no momento que estava sem produzir algo musical, era um fato que me fazia sentir vazia, então foi que eu resolvi por em prática o projeto que já passou pela minha cabeça várias vezes, fazer um zine de forma oldschool e totalmente artesanal, bem na linha Do It Yourself onde eu questiono coisas que me incomodam, pra incomodar as pessoas e principalmente, fazer elas pensarem sobre coisas simples que acontecem todos os dias e que podem mudar pra melhor.


A primeira edição (como vocês podem ver na primeira foto que coloquei aqui) foi algo simples e bem questionador vindo também com muito humor e ironia.



 Já na segunda edição tentei fazer algo mais elaborado, com um pouquinho mais de texto e trazer algumas discussões sobre a liberdade e o empoderamento do corpo das mulheres por elas mesmas, onde eu quis colocar que nosso corpo nos pertence, e isso deve ser respeitado, trazer também alguns conceitos básicos como Slut-Shaming onde tentam de qualquer forma controlar a sexualidade da mulher, sua autonomia e seu corpo. Acho que foi um termo que inclusive mudou muito minha forma de pensar o feminismo atualmente. 

Uma coisa é ser tratada como objeto, outra é ter poder sobre seu próprio corpo e fazer com ele o que quer, muita gente que vê de fora o movimento não consegue entender e inclusive critica como sendo algo incoerente dentro do feminismo, mas essa discussão ficará para um outro momento. A questão do machismo também oprimir indiretamente os homens é algo que tentei explorar tanto no #1 quanto no #2.


Sempre indico alguns filmes, bandas formadas por mulheres, afinal o objetivo desse zine é se voltar para o protagonismo feminino em espaços predominantemente masculinos. No #2 comecei a indicar leituras também para os leitores do zine, acho a leitura essencial para a mudança cultural, social e política.



A terceira edição já vem com outras temáticas, como a opressão com os índios no Brasil apesar dos mais de 500 anos de existência, a questão da desigualdade racial na infância, mudanças no código penal que atinge não só as mulheres, mas também toda a comunidade negra, pobre, @s profissionais do sexo, vendedores ambulantes, favelados e uma gama de pessoas em nossa sociedade. 

A quarta edição contará com participação de outras pessoas no zine, não que elas façam parte diretamente, mas estou tentando abrir espaço para os meus leitores falarem o que quiser, ou expor uma arte, uma poesia, um texto, ou qualquer outra forma de manifestação. E isso provavelmente será algo que vou conservar no zine pois acho importante dar voz ao publico. N a quarta edição tentarei abordar mais as travesti, @s transsexuais, falar sobre o cisexismo, pois o meu feminismo é inclusivo e além de questões da mulher, do homem, d@s negr@s, d@s indigenas, questões sobre padrão de beleza e magreza, acho importante falar sobre os LGBT's, apesar de não fazer parte do movimento acho de suma importância dar apoio e solidariedade a essas pessoas e nos unirmos, pois el@s tem sido ao longo da história da humanidade reprimid@s pelo patriarcado que também reforça a homofobia e a transfobia.

Em fim... Estou aberta a sugestões, qualquer coisa entre em contato pela Página do Zine por inbox: http://www.facebook.com/ZineEstridente

Vou postar aqui também as três edições para download em PDF:


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