segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Zine Estridente deseja a tod@s um feliz 2013!


Zine Estridente #3

O Zine Estridente deseja a todos os seus leitores um feliz ano novo, cheio de realizações, com muita saúde, paz, amor, e tudo que existir de bom nesta vida, pura positividade para todos!

Que este 2013 as pessoas procurem saber das coisas antes de julgar, que seja um ano com pessoas menos ignorantes e mais compreensíveis, que as pessoas sejam menos omissas as injustiças do mundo e que lutem por um lugar melhor para se viver.

Que as pessoas possam perceber que não é o ano que tem que ser melhor e sim elas mesmas que tem que trabalhar para melhorar elas mesmas, serem mais participativas na política, na cultura, no social e que a solidariedade entre as pessoas seja em todos os sentidos um sentimento que cresça no nosso mundo!

Mafalda

Por um mundo menos egoísta e mais solidário entre as pessoas, entre os seres humanos e os animais, entre os seres humanos e a natureza, que a ética na política, na vida profissional e pessoal seja algo efetivo, e que as pessoas façam acontecer mais, tenham mais iniciativa!

Obrigada a todos que gostam do zine, são vocês a causa de eu não desistir e saber que vale a pena continuar a fazer o que faço!


Feliz ano novo!
Abraços! 

domingo, 30 de dezembro de 2012

O contexto do que uso para publicar no zine


Inspiração: Uma Feminista Cansada

Muitas coisas que crio no meu zine são situações que já presenciei, que podem ter acontecido comigo ou não, de textos que leio, de músicas que escuto, de cartazes de protesto que vejo e até muitas por meio de discussões e falas de pessoas que fazem observações e colocações muito sensatas.

Tenho grandes inspirações em todas as áreas, tanto na filosofia, na sociologia, na antropologia, na política, na arte ou até mesmo frases de pessoas humildes e simples, mas que tem uma sabedoria aprendida com a vida, mesmo sem nenhum estudo e resultante de um sofrimento que são dignos de respeito. Confesso, até mesmo discussões de grupos dentro do facebook fechados ou abertos, foi por meio deles que conheci muitas pessoas que fizeram colocações em longas discussões que mudaram minha forma de pensar determinados assuntos, fizeram eu ir atrás de leituras e documentários sobre as temáticas colocadas nestes grupos.
Estridente #2 - Inspiração em Simone de Beauvoir - Escritora e Filosofa

Muita gente deslegitima o chamado “ciberativismo”, mas acho que foi este ativismo que me fez profundar as leituras e observar com outros olhos no meu cotidiano e quem estava a minha volta, e até em alguns momentos me fez perceber que eu ainda carregava comigo alguns preconceitos mesmo me identificando como feminista.

As redes sociais atualmente, apesar de muita gente não utilizar dessa forma, é uma grande ferramenta que pode AJUDAR na mudança sim! É claro que só o ciberativismo não muda tudo, mas ajuda, é uma ferramenta. A mudança é lenta e acontece com a junção de uma porção de coisas, a internet é uma delas, não é e não pode ser a única. Eu sou a prova viva disso, porque deixei muitos preconceitos pelo ciberativismo de outras pessoas que esclareceram uma série de coisas que antes pareciam confusas na minha cabeça e que eu julgava mal, inclusive oprimia.

Estridente #2 

O fato de alguém ser feminista, não quer dizer que sejamos a vida inteira pessoas extremamente coerentes e não opressoras, mas é preciso perceber e perder essas incoerências e esses preconceitos que nem mesmo agente percebe, um puxão de orelha de vez enquanto é bom! Isso tudo me ajudou a ser a pessoa que sou.

Acho que meu zine pode ser sim uma ferramenta de mudança, assim como meu trabalho como professora é uma ferramenta importante e é uma responsabilidade enorme, assim como os protestos tem sua importância, assim como questionar tudo a sua volta e alertar as pessoas próximas de você. Eu disse ALERTAR e não MUDAR as pessoas, a mudança tem que partir da própria pessoa. Me lembro uma vez que um carinha que eu conhecia pessoalmente, também envolvido com música me mandou uma indireta no facebook dizendo que estava cancelando o meu feed de notícia porque sou chata e queria mudar o mundo e as pessoas não fazendo nada só dando "lição de moral' (uiiiii!!), sendo que ele nem conhece os outros trabalhos que faço, do que eu participo ou não, o que eu milito ou não. Julgam a minha militância como algo inútil sem se quer conhecer de fato pelo que milito (de fato mesmo, sem opiniões de senso comum).

Outros fazem pouco caso dizendo que minha militância é inútil e ridícula, daí eu olho e vejo, as pessoa nem pelo que ela acredita está se movimentando! Então o zine é uma resposta também para tudo isso. Pessoas que criticam, mas que também não se movimentam pela causa delas e pelo que acham que 
deve melhorar neste mundo.

Estridente #2 - Inspirado na página Feminismo em Rede

É claro que uma militância não impede outra, eu por exemplo, apoio muito a questão da luta contra a corrupção, a luta contra a fome, contra o racismo, contra a homofobia, e um monte de coisas que acho que estão erradas. As pessoas quando veem uma feminista acha que ela só luta por mulheres, e ainda dizem que nós é que somos sexistas, sendo que nossa luta atinge homens e mulheres e ajuda toda a sociedade a ser melhor, as responsabilidades divididas é um peso menor nas costas dos homens, será que isso é difícil de entender?


Estridente #2 - Divulgação do Dia do Basta a Corrupção






sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Impressão do zine e as dificuldades



Olá pessoal, tudo bem com vocês?  Hoje vou falar um pouco do processo de produção do zine impresso, como comecei a fazer e como faço hoje para ser mais econômico para mim, já que o zine é gratuito e não tenho nada de patrocínio, tiro tudo do meu bolso (ainda).

Quando comecei o zine, como não sabia como utilizar a minha impressora que também  é fotocopiadora (xerox)  e escâner, pois não me dou bem com tecnologias, tanto é que fiquei com um celular tijolão por mais de 5 anos, e só atualmente – isso porque a iniciativa e quem me deu foi minha mãe – estou com um celular um pouquinho mais atual, que toca música,  vem com fones, tem cartão de memória, tira foto e até entra na internet de forma precária e lenta.

Acho que minha dificuldade com tecnologias que me levou a fazer um zine oldschool, e acho que mesmo que me desse bem com tecnologia talvez optasse pelo old, por sua estética e o rompimento com as novas formas de se publicar zines. O formato do zine em si já é uma forma de protesto.

Fui nas papelarias da vida tirar xerox da forma que queria para economizar papel, 4 páginas do zine por 1 folha A4, no total davam 3 folhas frente e verso, onde corto elas no meio, dobro e junto e depois grampeio, mas infelizmente todas as papelarias que fui pra tentar tirar xerox sempre cortavam alguma parte das colagens ou então a impressão saía muito escura, era decepcionante porque era um dinheiro jogado fora, e o que eu fiz? Divulguei mesmo com as colagens cortadas, fazer o que, não sou rica!!!


Confesso que as primeiras cópias as impressões eram extremamente toscas, até que um dia aprendi a utilizar a fotocopiadora e consegui colocar o zine da forma que queria sem cortes e caprichado, além de meu irmão ser técnico em informática e conseguir mais barato tinta de impressora pelos contatos que tem, portanto se tornou mais econômico.

As primeiras edições (#1 e #2) eu tirei cópias a mais porque estava mandando para uma garota de São Paulo que tem banda feminina de hardcore distribuir cópias do meu zine nos locais que tocavam e mesmo entre elas no coletivo feminista chamado Emancipar, voltado também para o protagonismo feminino na cena hardcore e punk de lá (inclusive valeu aí meninas do Anti-Corpos e coletivo Emancipar).Apesar do gasto a mais valeu a pena!

Mas está ficando difícil mesmo tendo diminuído o custo das impressões, por isso acabei tomando uma decisão,  ano que vem começarei a pedir uma ajuda simbólica só pra tinta e pra envio pelo correio pro pessoal de fora que faz pedido do zine. Não tenho condições financeiras para manter isso tirando dinheiro do bolso.

Bom, tem outra coisa que quero falar, neste finzinho de ano não poderei imprimir mais nada, a fornecedora de tinta de impressora mais barata não receberá pedido esse ano mais, só a partir de Janeiro de 2013 agora. Minha tinta acabou, estou bem triste porque pra própria confecção do zine ia precisar da tinta um pouquinho. Espero que tenham paciência de esperar, pois o Estridente #4 vai ser maravilhoso! Um abraço para vocês e até a próxima. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Zine Estridente, trajetória e planos para o futuro


Zine Estridente é um projeto que a muito tempo eu tinha vontade de por em prática desde quando conheci o movimento Riot Grrrl onde me identifiquei bastante, mas num primeiro momento segui caminhos diferentes, principalmente os caminhos da música, fui estudar também, fazer uma faculdade (Ciências Sociais), paralelamente sempre me envolvi com música durante esse tempo, mas na etapa final resolvi dar um tempo e me dedicar mais aos estudos.

Quando me formei e comecei a dar aula de Sociologia e Filosofia em várias escolas como professora designada (ou substituta) foi um grande desafio, mas que com o tempo você acaba pegando o jeito da coisa! E durante todo esse tempo da minha vida depois que conheci o Feminismo, a medida que fui me aprofundando ia revendo minhas formas de pensar, do que eu pensava ser feminismo e o que eu entendo como feminismo hoje, principalmente a questão da solidariedade entre as mulheres e as micro-agressões sexistas existentes no nosso cotidiano real e virtual que agente finge não ver ou aceita pra não ser chata, mal educada e desagradável com os outros. 


Com o tempo eu percebi que o tentar ser agradável com pessoas, sorrir e aceitar as micro e macro agressões era algo que estava impregnado no patriarcado, que parecer sempre passiva era realmente o objetivo de todo esse mundo baseado na opressão.


Foi quando comecei a incomodar um pouco as pessoas pois deixei de aceitar as coisas cotidianas que me cercavam, foi uma faze difícil na vida, como dizem algumas feministas que conheço, passei a viver dentro de uma "bolha rosa", principalmente no momento que estava sem produzir algo musical, era um fato que me fazia sentir vazia, então foi que eu resolvi por em prática o projeto que já passou pela minha cabeça várias vezes, fazer um zine de forma oldschool e totalmente artesanal, bem na linha Do It Yourself onde eu questiono coisas que me incomodam, pra incomodar as pessoas e principalmente, fazer elas pensarem sobre coisas simples que acontecem todos os dias e que podem mudar pra melhor.


A primeira edição (como vocês podem ver na primeira foto que coloquei aqui) foi algo simples e bem questionador vindo também com muito humor e ironia.



 Já na segunda edição tentei fazer algo mais elaborado, com um pouquinho mais de texto e trazer algumas discussões sobre a liberdade e o empoderamento do corpo das mulheres por elas mesmas, onde eu quis colocar que nosso corpo nos pertence, e isso deve ser respeitado, trazer também alguns conceitos básicos como Slut-Shaming onde tentam de qualquer forma controlar a sexualidade da mulher, sua autonomia e seu corpo. Acho que foi um termo que inclusive mudou muito minha forma de pensar o feminismo atualmente. 

Uma coisa é ser tratada como objeto, outra é ter poder sobre seu próprio corpo e fazer com ele o que quer, muita gente que vê de fora o movimento não consegue entender e inclusive critica como sendo algo incoerente dentro do feminismo, mas essa discussão ficará para um outro momento. A questão do machismo também oprimir indiretamente os homens é algo que tentei explorar tanto no #1 quanto no #2.


Sempre indico alguns filmes, bandas formadas por mulheres, afinal o objetivo desse zine é se voltar para o protagonismo feminino em espaços predominantemente masculinos. No #2 comecei a indicar leituras também para os leitores do zine, acho a leitura essencial para a mudança cultural, social e política.



A terceira edição já vem com outras temáticas, como a opressão com os índios no Brasil apesar dos mais de 500 anos de existência, a questão da desigualdade racial na infância, mudanças no código penal que atinge não só as mulheres, mas também toda a comunidade negra, pobre, @s profissionais do sexo, vendedores ambulantes, favelados e uma gama de pessoas em nossa sociedade. 

A quarta edição contará com participação de outras pessoas no zine, não que elas façam parte diretamente, mas estou tentando abrir espaço para os meus leitores falarem o que quiser, ou expor uma arte, uma poesia, um texto, ou qualquer outra forma de manifestação. E isso provavelmente será algo que vou conservar no zine pois acho importante dar voz ao publico. N a quarta edição tentarei abordar mais as travesti, @s transsexuais, falar sobre o cisexismo, pois o meu feminismo é inclusivo e além de questões da mulher, do homem, d@s negr@s, d@s indigenas, questões sobre padrão de beleza e magreza, acho importante falar sobre os LGBT's, apesar de não fazer parte do movimento acho de suma importância dar apoio e solidariedade a essas pessoas e nos unirmos, pois el@s tem sido ao longo da história da humanidade reprimid@s pelo patriarcado que também reforça a homofobia e a transfobia.

Em fim... Estou aberta a sugestões, qualquer coisa entre em contato pela Página do Zine por inbox: http://www.facebook.com/ZineEstridente

Vou postar aqui também as três edições para download em PDF: